Garantir água potável para toda a população brasileira é um dos maiores desafios do saneamento básico e uma meta crucial para o país atingir até 2033.
De acordo com o Marco Legal do Saneamento ( Lei nº 14.026/2020), o Brasil tem como meta, através dos contratos de prestação de serviço, universalizar o acesso à água tratada até 2033, assegurando que 99% da população tenha abastecimento adequado e 90% com coleta e tratamento de esgotos, além de metas de não intermitência, de redução de perdas e processos de tratamento.
Esses objetivos são essenciais para reduzir desigualdades, prevenir doenças e promover qualidade de vida. Além de serem verificadas anualmente pela entidade reguladora competente.
Conhecer as etapas do tratamento é fundamental para compreender a importância do saneamento básico e da gestão eficiente dos recursos hídricos no Brasil.
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ToggleO que é o tratamento da água?
O tratamento da água é um conjunto de procedimentos físicos e químicos que removem impurezas, microrganismos e substâncias nocivas da água bruta. Seu objetivo é torná-la própria para consumo humano, atendendo aos padrões de qualidade estabelecidos pela legislação.
A União define parâmetros mínimos de potabilidade, regulamentados pelo Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) edita normas de referência para a regulação dos serviços de saneamento.
Esse processo está diretamente ligado ao saneamento básico, que engloba também coleta e tratamento de esgoto, drenagem e manejo das águas pluviais urbanas, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos.
Além de assegurar saúde pública, o tratamento da água contribui para reduzir a incidência de doenças de veiculação hídrica, como cólera e hepatite A.
Existem diferentes formas de tratamento de água, aplicadas conforme a origem da água e a finalidade do uso. As principais são:
- Tratamento convencional: mais utilizado no Brasil, envolve etapas como coagulação, floculação, decantação, filtração, desinfecção e fluoretação.
- Tratamento simplificado: aplicado em pequenas comunidades ou áreas rurais, com processos menos complexos, geralmente com filtração e cloração.
- Tratamento avançado: usado quando a água apresenta alta carga de poluentes ou para fins industriais, podendo incluir processos como osmose reversa, carvão ativado e desinfecção por ozônio.
- Dessalinização: indicada para regiões com escassez de água doce, remove sais da água do mar ou salobra por processos físicos e químicos.
- Tratamento por membranas: tecnologia moderna que utiliza filtros especiais para remover partículas e microrganismos.
Cada método é escolhido com base na qualidade da água bruta e nos padrões exigidos para consumo ou uso industrial.
Outro ponto essencial é o controle de qualidade e monitoramento constante, que assegura que a água distribuída esteja dentro dos parâmetros exigidos. Existem diferentes tipos de tratamento, mas o mais comum no Brasil é o tratamento convencional, que veremos a seguir.
Etapas do tratamento da água convencional
O funcionamento do tratamento da água envolve uma sequência de processos físicos e químicos realizados em estações de tratamento (ETA).
Tudo começa com a captação da água bruta em mananciais, seguida por análises laboratoriais para definir os produtos químicos e ajustes necessários. Dentro da ETA, cada etapa é monitorada por sistemas automatizados e profissionais especializados.
Sensores verificam parâmetros como pH, turbidez, presença de microrganismos e concentração de cloro. Esses dados são registrados em relatórios para garantir que a água atenda aos padrões de potabilidade definidos pelo Ministério da Saúde.
Além disso, o processo é integrado a sistemas de monitoramento ambiental, que acompanham a qualidade da água nos mananciais e ajudam a prevenir contaminações.
Após passar por todas as etapas, coagulação, floculação, decantação, filtração, desinfecção e fluoretação, a água é armazenada em reservatórios e distribuída para a população por meio da rede de abastecimento.
Esse controle contínuo é essencial para promover segurança, qualidade e regularidade no fornecimento, evitando riscos à saúde e assegurando que a água chegue limpa às residências.
O tratamento convencional é o mais utilizado no Brasil e segue um conjunto de processos físicos e químicos que garantem a potabilidade da água. Veja cada etapa em detalhes:
Captação
A água é retirada de mananciais superficiais, como rios, lagos ou represas, e direcionada para a estação de tratamento. Nessa fase, é feita uma análise inicial para verificar a qualidade da água bruta e definir os produtos químicos necessários para o tratamento.
Coagulação e Floculação
Nesta etapa, são adicionados coagulantes (como sulfato de alumínio ou cloreto férrico) que neutralizam as cargas elétricas das partículas em suspensão, permitindo que elas se agrupem. Em seguida, ocorre a floculação, onde agitadores lentos ajudam a formar flocos maiores, facilitando a remoção das impurezas.
Decantação
Os flocos formados na etapa anterior se depositam no fundo dos tanques por ação da gravidade. Essa separação reduz significativamente a turbidez da água, deixando-a mais limpa antes da filtração.
Filtração
A água passa por filtros compostos por camadas de areia, carvão e pedras. Esse processo remove partículas menores que não foram eliminadas na decantação, garantindo maior clareza e pureza.
Desinfecção
Para eliminar microrganismos patogênicos, é feita a aplicação de agentes desinfetantes, como cloro ou ozônio. Essa etapa é essencial para prevenir doenças de veiculação hídrica.
Fluoretação
É adicionada uma quantidade controlada de flúor à água para prevenir cáries dentárias na população. Esse procedimento segue normas específicas para evitar excesso.
Distribuição
Após todas as etapas, a água tratada é armazenada em reservatórios e distribuída para residências, comércios e indústrias por meio da rede de abastecimento.
Conclusão
O controle das etapas do tratamento da água é um processo complexo que exige precisão, monitoramento e registros diários. Para empreendimentos de saneamento, contar com ferramentas digitais é essencial para contribuir para a eficiência e transparência.
A Kartado oferece soluções como o Sistema Integrado de Gestão de Saneamento que facilita a gestão das atividades e a integração dos dados operacionais. Essas ferramentas ajudam a garantir mais qualidade na gestão da água e no cumprimento das metas de saneamento.
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